Entevista com a Governadora do RN
“Obras do nosso governo em Mossoró têm passado, presente e futuro”, afirma governadora
O Mossoroense: O aeroporto Dix-sept Rosado foi o assunto mais comentado nesses dois dias que a senhora passou em Mossoró. O que é preciso para fazer o aeroporto voltar a funcionar?
Wilma de Faria: Primeiro vamos resolver o problema técnico. Depois vamos fazer um trabalho para que se tenha o turismo regional. Até mesmo nas capitais não há voos regionais. Se você quiser ir de Natal a Maceió passa o dia todinho nos aeroportos esperando para fazer conexões. Isso não é possível. Antes tínhamos voos para São Luís, Teresina… o presidente Lula entendeu isso e está querendo incentivar. Vale a pena não só para o turismo, mas também para a Embraer que demitiu tanta gente por conta da crise e precisa de investimentos.
OM: A senhora teve uma reunião com os fruticultores. Que lhe pediram custeio para a produção. Que resultados práticos houve nessa reunião?
WF: Nós tivemos uma reunião excelente com os fruticultores nessa estada em Mossoró. Eles falaram que sofreram calote em 20% do que foi exportado para a Europa por causa da crise. Isso dificultou muito a questão do custeio. O Estado já está dando a sua colaboração em relação a Lei Kandir. Já repassamos dez milhões e vamos repassar mais quatro. No entanto, isso não resolve o problema deles. O que eles precisam é de crédito a juros diferenciados a exemplo do que foi feito para Pernambuco e Bahia. Eu imediatamente liguei para o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e ele nos deu a certeza da inclusão do Rio Grande do Norte nesse benefício. Já deixei o telefone da pessoa que tratará desse assunto com o presidente da Coex, Segundo Paula, e o BNDES vai dar condições aos fruticultores do mesmo jeito que aconteceu nesses outros dois Estados. Precisamos evitar esse problema grave porque não vamos admitir que haja demissões com esse juro mais baixo em torno de 5 a 9% ao ano. Essa foi a solução que nós demos. Eles têm créditos a receber da Receita Federal. Já conversamos com a doutora Lina Vieira para tratar desse assunto. Enfim… estamos encaminhando todos esses problemas. Esse é um problema que não é só nosso. Ocorre em todos os Estados.
OM: Um dos pontos mais criticados em seu governo em Mossoró é a falta de água. O que está sendo feito para sanar esse problema?
WF: Antes de falar sobre água em Mossoró. Quero dizer que fico muito à vontade para falar de obras em Mossoró porque temos passado de obras que já foram feitas, presente de obras que estamos fazendo e futuro de obras que ainda vamos fazer. Nesse futuro incluo a adutora que vai trazer água da Barragem de Santa Cruz para Mossoró e outras cidades e comunidades rurais vindo pela BR-405. Isso foi apresentado a toda a sociedade de Mossoró. Conseguimos colocar esse projeto no PAC. Não tem perigo de não sair do papel. Mossoró terá o problema da água resolvido por muitos e muitos anos.
OM: No domingo passado, os trabalhadores rurais de Apodi decidiram que vão fazer protesto como forma de impedir que a água da barragem circule em outros municípios. O governo já tem uma solução para esse problema?
WF: Isso não é problema não. O que eles me falaram é que estão questionando o problema da irrigação que será feita em mais de doze mil hectares em cima do Vale na área alta da Chapada do Apodi, que eles não querem que seja feita porque acham que não vai dar condições de atender aquele projeto que o Dnocs está pleiteando fazer e já tem os recursos assegurados. Com relação a barragem, não. Ela está assegurada. Ela vai atender a uma parte de Mossoró. Nós vamos melhorar a outra adutora feita há pouco tempo que a gente achava que ia resolver todos os problemas. Eu lembro que houve uma polêmica entre o governador e a prefeita da época que era Garibaldi e Rosalba, respectivamente, porque um não queria a água do Assú e o outro achava que a água do Assú era a solução e não foi. Agora a gente está trazendo a adutora para atender um outro lado e atender totalmente a cidade.
OM: O governo vai conversar com o Dnocs para discutir essa revisão na Chapada e no Vale?
WF: Estamos já entrando em contato dizendo que o pessoal do Apodi acha muito perigoso. A gente tem que sentar à mesa para mostrar como vai ser esse projeto. Tudo isso vai ser viabilizado através da integração das bacias do São Francisco. Sem esse projeto nós ficaremos preocupados, mas por outro lado a gente não pode ficar com a barragem como está sem ser usada para nada.
OM: Como a senhora avaliou a reunião que teve com os vereadores?
WF: Os vereadores encaminharam alguns pleitos que a gente já tinha tratado e atendido como a questão dos fruticultures que nós já resolvemos e avançamos ainda mais quando o presidente do BNDES retornou a ligação para dizer que o Rio Grande do Norte está incluído na resolução do Ministério da Fazenda em relação ao custeio das frutas. Resolvemos também a questão da Lei Kandir, que a gente já tinha conseguido pagar dez milhões e falta quatro, mas isso não resolve e esse crédito do BNDES já colabora. Os vereadores também colocaram a questão do Ceduc, por exemplo, que foi uma questão resultante de atraso das obras. Encontramos algumas coisas erradas e pedimos que a obra fosse refeita por causa de algumas rachaduras. Houve um pedido para concurso público, mas já convocamos as pessoas disponíveis para o Ceduc, mas será necessário contratar mais pessoal e vamos contratar funcionários temporariamente e em seguida fazer o concurso. Até junho queremos inaugurar o Ceduc. A maioria das coisas pedidas já tinham sido atendidas, mas as outras vamos analisar porque o vereador é um representante do povo e merece todo o nosso respeito.
OM: Ao chegar a Mossoró a senhora recebeu um protesto dos professores em greve. Qual a solução para esse problema? O governo tem condições de pagar o piso?
WF: A greve não tem sentido porque o nosso governo é aberto para o diálogo através do secretário Rui Pereira. Conversei com todos os governadores do Nordeste e o piso que eles deram foi o mesmo dado no Rio Grande do Norte, sendo que aqui ainda temos o Plano de Cargos, Carreiras e Salários. Acertamos com os professores que daríamos a progressão vertical em abril e a horizontal para quem não tem ainda. Isso representa R$ 21 milhões na folha de pagamento. Ainda tem as letras, a mudança de nível. A gente também apresentou uma proposta avançando. Isso daria em torno de R$ 60 milhões. Em ano de crise fizemos um esforço sobre-humano para conseguir isso. Eu conversei com o governador Deda, de Sergipe, porque lá e o Rio Grande do Norte são os únicos Estados que enfrentam greve. Deda disse que entrou na Justiça e conseguiu acabar com a greve. Nós preferimos o diálogo. Também sou professora e sei da sua importância. São fundamentais na qualidade do ensino. O tratamos de forma especial quando oferecemos a gestão democrática com PCCS. A gente não pode ser irresponsável em ano de crise dizer que vai pagar uma coisa que pode não pagar. Estou cumprindo a lei e estou tratando de forma democrática essa questão. Queremos que cada um cumpra o seu dever e desafio a saber qual a escola privada que paga melhor que a rede pública. Aí fico a me perguntar: a gente paga melhor e as crianças das escolas privadas estão com aula enquanto a gente paga mais, dando mais direitos e as crianças pobres, que mais precisam estão sem aula. Isso não é justo. A gente quer um país igual e queremos colaborar com isso.
OM: A senhora nessa sua visita destacou as obras de saneamento…
WF: Estamos investindo em saneamento R$ 41 milhões. Temos uma lagoa de tratamento quase pronta para atender a Mossoró. Visitei as obras no Alto de São Manoel, Ilha de Santa Luzia e vários bairros.
OM: Quando o Parque da Cidade vai se tornar realidade?
WF: Os recursos já estão assegurados por uma emenda parlamentar colocada pela deputada federal Sandra Rosado. Nós já estamos com a licitação iniciada e queremos concluir essa obra até abril do próximo ano. Essa obra vai dar lazer, entretenimento e saúde à população. Também vai amenizar o clima. Vai ser tão ou quão mais bonita que a Ilha de Santana que fizemos em Caicó. Houve uma demora por conta de um problema relativo à tricotomização do rio no terreno doado pela Ufersa. Já fizemos a readaptação e em breve vamos começar essa obra.
OM: Um dos pontos em debate em Mossoró é a segurança pública. O que o governo do Estado pode fazer para melhorar essa situação?
WF: Esse é um problema do Brasil. A violência aumentou em todo o Brasil. Os índices de violência em Recife são os maiores do País. Aqui no Nordeste esse é um grande problema. Estamos formando novos policiais e vamos encaminhar 150 homens para atuar na PM em Mossoró. Também estamos investindo na aquisição de viaturas.
OM: A senhora tem evitado falar sobre política. O momento é só de trabalho?
WF: Temos projetos importantes para gerar emprego e renda. A política não pode atrapalhar as ações do governo. Precisamos solucionar os problemas da população nessa crise que é mundial e já chegou ao Brasil, ao Nordeste e ao Rio Grande do Norte. A gente não pode esconder essa verdade. Precisamos estar todos juntos, esquecer essas questões políticas e priorizar a solução para os problemas do Rio Grande do Norte.
OM: Primeiro o deputado João Maia. Depois o senador José Agripino. Como a senhora avalia essas denúncias?
WF: Não estou sabendo. Acho que esse assunto deve ser discutido pelas pessoas que estão sendo postas. Acredito que os dois têm uma resposta para dar.
OM: O noticiário tem colocado que a senhora deverá apoiar o vice-governador Iberê Ferreira ou o deputado Robinson Faria…
WF: … Vamos deixar a política de lado. Vamos falar desse assunto em janeiro do próximo ano. Não se faz política por antecipação porque atrapalha o governo. Temos quatro candidatos em nossa base. Esse é um ano para se trabalhar e superar as dificuldades dessa crise e dar melhor qualidade de vida à população. Esse é trabalho que devemos fazer.
OM: O deputado Robinson Faria deverá procurar a senhora nos próximos dias para conversar sobre política…
WF: …Estamos sempre conversando. Podemos conversar amanhã, nesse final de semana…
OM: … ele se sente desprestigiado…
WF: Não existe desprestígio. Pelo contrário. Nunca nenhum governo deu tanto prestígio a um presidente da Casa como nós demos. Nós governamos junto com o presidente da Casa. O partido dele tem vários espaços no governo. Tem total apoio do governo.
OM: Como a senhora reagiu em relação a derrubada dos vetos ao Orçamento feitos pela senhora? Existe alguma dificuldade sua com a bancada governista?
WF: A Assembleia não entendeu a nossa preocupação em relação a um orçamento feito em agosto quando pensávamos que o Rio Grande do Norte não seria atingindo pela crise. Fiz os vetos porque as emendas tiraram recursos de obras importantes para atender interesses dos outros poderes. O Orçamento precisa ser refeito. Vamos nos reunir com os outros poderes porque todo mundo vai precisar cortar da própria carne para que o povo do Rio Grande do Norte não seja prejudicado.
OM: O deputado Antônio Jácome segue na liderança do governo ou um outro nome pode surgir?
WF: O deputado Antônio Jácome me sugeriu um rodízio no cargo de liderança do governo, mas não renunciou não. Ainda vamos tratar sobre esse assunto em outra oportunidade.
OM: A senhora ainda espera uma aliança com o PMDB para o próximo ano?
WF: Isso aí é para o futuro. Não é para tratar disso agora não.
Por: Bruno Barreto
Editor de Política/Jornal “O Mossoroense”











